tudo é provisóriamente eterno para os poetas... tudo é eternamente provisório para os amantes e o poema apenas a configuração do instante.

-Capinam-

4 de maio de 2009

Fragmentos de uma conversa sem fim

O desejo de fugir para longe
Remete-me ao sofrimento de ter que esquecer
Qual será o vazio pior?

Vejo seus olhos brilharem mais do que todas as luzes
E os meus como os teus

Saudade da presença que influencia meu ser
O momento em que tomamos consciência
[da enormidade que nos envolve.

Eu queria parar de sentir
O querer de apenas sumir
Eu quero e não quero as mesmas coisas

E apesar de estar morrendo por dentro todos os dias
[ela me traz vida e modifica minha vida
Espanto-me ao perceber que minha vida é dela
[e vida dela é minha

Por tantas vezes ultimamente
Vejo-me exposta a todos os outros
Meus anseios, minhas feridas
E pior: meus medos

Tão vulnerável e desprotegida de minhas muralhas
Tudo ocorrendo ao mesmo tempo

E a explosão de emoções, preocupações.
Provocando controvérsias
E o que eu gosto e não quero
Faz-me bem e mal ao mesmo tempo

Para não sentir-me sozinha
Vivo minhas efemeridades com afinco
E no fim o mesmo vazio...

Eu queria que você não me amasse como eu te amo
Assim eu poderia te esquecer sem remorso
Mas sei que não quero esquecer
E eu sei que muitos não entendem

Antes éramos dois
Agora um único indivíduo
E será que agüentaríamos a dor do repartir
De nossa alma completa em duas imperfeitas
[em uma possível separação?

Não quero pensar nisso
Mas só vivo pensando

E sei que quem ama nunca é feliz
Apenas tem doses homeopáticas de felicidade
E sei também que nada dura para sempre
Mas no único segundo em que estou com ela
Eu sinto toda a força do mundo
E este único segundo tem mais valor
Que uma vida inteira sem graça

Que eu morra de dor todos os dias
Mas qual será a dor pior?

1 de maio de 2009

Amor Amigo

Eu odeio um amor
Digo que odeio para não saberem que é grande
Finjo que odeio para não amar muito mais
E na verdade não odeio nada, não digo nada e não finjo nada.
O meu amor é amigo. Ou melhor, melhor amigo. E nunca disse isso a ele. Mas ele sabe que é parte do meu alicerce e que se não fosse por ele, talvez eu caísse, nunca mais me reconstruiria ou talvez nunca tivesse me edificado.
O meu amigo é frágil e por isso mesmo forte. Ele chora, sente, sorri e quebra a porcelana mostrando sangue e carne. Mas poucos vêem. Poucos estão interessados em ver.
Eu nem sei se ele tem noção dessas coisas todas. E se tiver, eu saberei. Talvez por ele sempre me contar, talvez por eu conhecer o seu olhar ou simplesmente por conhecê-lo.
Não é apenas um sorriso bonito não é? É muito mais que isso.

“...estava do meu lado quando eu mais precisei, quando tudo estava caindo, quando eu não tinha forças...”

14 de abril de 2009

Foto e Pino.


Sou uma foto amarelada no fundo da gaveta - que é importante e traz lembranças boas, mas apenas quando é procurada.
Sinto que começei a desbotar e manchar já a algum tempo. Mudança gradual e constante. E o mais triste é saber que uma vez perdida, a imagem não se regenera.

Na verdade, também sou uma peça que outrora pertencia a um quebra-cabeça e agora não se encaixa mais. O próprio parece completo e eu sou a peça que sobra.
Como um relógio cujo pino some, mas tal desaparecimento não compromete o funcionar da máquina.

Sim! É exatamente o que sou! o inexato pensamento constante. O ser condicionado ao mal e bem do pensar. O pensante movimento da vida.
EU NÃO EXISTO! Se existir é fazer parte de algo, eu não existo. Sou apenas uma ilusão, uma idéia construída por alguém do qual não conheço os intúitos.

E o que será de mim quando eu perder a minha imagem e não puder mais guardar suas lembranção?
E o que será de mim quando você souber que sou a peça que sobra?
Quando você precisar ajustar as horas do relógio e perceber que EU, seu pino, não estou mais convosco e que não percebestes minha queda. O que será de mim depois disso?

E o que será de ti quando eu não mais existir para lhe lembrar, completar e ajudar no seu ajuste?
Se para ti eu existo, minha existência é tua e só tu és capaz de prezervá-la ou digerí-la.

15 de março de 2009



"Lhe trago todos os lírios que eu puder carregar e de resto só tenho a mim pra lhe dar..."

26 de fevereiro de 2009

dia 24 de fevereiro do bendito 2009


Registro do encontro entre Bárbara, Nayara e Sem Selos, com reflexão decorrente do encanto deste pela segunda e posterior conversa com a primeira.

Um divertido dia, uma carona pra casa e um beijo no rosto. Tão simples e fascinante ao mesmo tempo. Tentativa falha de não pensar a respeito. E uma folha em branco que espera para ser escrita.
"Há de ser possível escolher não gostar de alguém, em uma dessas decisões que se toma para se proteger de qualquer decepção futura?
ouvi dizer que não se pode escolher, apenas acontece quando menos se espera e é preciso apenas deixar que a coisas aconteçam por sí sós.
Mania essa que temos de querer dominar tudo com o tal do auto-controle. Depois percebemos que grande parte do que controlamos em nós, não gostaríamos de controlar.
Sentir-se desarmado diante de uma situação qualquer ou diante de alguém é ser simplismente humano, o que cada vez mais percebemos querer deixar de o ser.
Até onde leva o benefício da armadura sentimental que geralmente usamos para não nos envolvermos e aliás, muito antes, para não darmos espaço à uma possibilidade qualquer?
Nesse caso, dar a cara a tapa é ser dotado de coragem ou imbecilidade?"

22 de fevereiro de 2009

Carta aos poetas


Poetas amigos que tanto amo, mesmo que eu deixe de amá-los, não deixarei de amar suas linhas.
As palavras acabam por ser para o poeta sua dádiva e sua maldição. Um dom que o completa ao proferir o que lhe falta ou o que lhe faz parte, de forma que se entrega nas linhas escritas. Entrega a sua alma nas metáforas e as faz parecer partes de seu corpo. De que outra maneira se sentiria tão sí mesmo? E tão menos incompleto?
O poeta acaba por se tornar escravo de suas próprias palavras e save que as precisa como o alimento que nutri seu ser. E algumas das coisas que são ditas marcam a pele, sangram e ficam para sempre, mesmo que o arreendimento afogue seus sonhos todas as noites.
A expressão do sentimento retido em seu coração se diexa transparecer a cada letra, por mais sem sentido que possa aparentar, sendo um pedaço de sí que se deixa mostrar apenas para aquele a qual é destinada.
Há quem não conheça um poeta fingidor? não porque finge sentir o que não sente mas, muitas das vezes finge não serem seus os sentimentos por ele escritos. se esconde por trás de sua escrita, vive através dela e sem ela perderia seu refúgio.
Quando o poeta sofre... como sofre! Somos capazes de perceber suas lágrimas derramadas nas palavras. Sentimos como nosso sofrimento o seu sofrer e nesse momento podemos ser um só.
Quando o poeta se alegra transborda luz em cada letra. Transborda cores, sorrisos e uma imensidão azul para os nossos dias. Faz um DIA AZUL, límpido com aquela famosa dose homeopática de felicidade.
E o que seria de nós sem os nossos poetas amigos que dizem as coisas mais certas ao nosso coração quando precisamos? E o que sera de nós sem o pouco de poeta que possuímos para nos auxíliar na leitura de nossas emoções?
Há perguntas que não necessitam de respostam, apenas de reflexões...
Os DIAS por enquanto estão AMARELOS e meio cansativos aos olhos, mas sinto-os próximos de se tornarem azuis. E quando acontecer todos perceberão a nova caligrafia, feita com o capricho que os dias azuis merecem.