tudo é provisóriamente eterno para os poetas... tudo é eternamente provisório para os amantes e o poema apenas a configuração do instante.

-Capinam-

19 de maio de 2013

O amor me tira o sono



O amor me tira o sono.
Foi a primeira frase que me veio à cabeça quando pensei em escrever mais uma carta não postada sobre amor. A verdade é que é verdade, o amor é perturbador.
Alimenta, preenche, pulsa, porém também adoece e pode matar quem o sente. Matar de sorrisos ou de lágrimas, depende. Depende de quê, você diria. Quem sabe, eu responderia sem resposta efetiva.

Há muitas pessoas que já morreram de amor, que estão mortas por dentro, que se fecharam para o mundo, que esfriaram, você as culpa? O amor pode matar e cada vez mais as pessoas tem muito medo de morrer mais de uma vez.

De sorte que a vida pode se colorir de novo e de novo. Veja bem meu bem. Quando um coração se aquece de repente, começa a mudar a cor e os dias passam a amanhecer mais alegres mesmo em manhãs de chuva, fique esperto... porque virão noites sem sono.

O amor é para os que não temem as distâncias. Esse amor que nos perturba é para os que têm coragem, acredito. Para quem não tem medo do salto de um precipício, não canso de dizer. O amor é para quem não tem medo de morrer se o salto não der certo.

Hoje eu amanheci sem medo algum... e preciso te contar umas coisas, assim mesmo, com muitas reticências em quase todas as frases.

Eu gostaria de te contar que já morri de amor, sabe... esfriei, quase me perco de mim mesmo, fiquei destruído. Tive um amor tão grande que quase me consumiu por dentro e quase me levou dessa para uma pior. E te digo mais... se eu pudesse voltar no tempo, não teria mudado uma vírgula sequer dos poemas que escrevi... muito menos ousaria deixar de sentir tudo o que senti.

E não adianta beber, correr... Não se esquece dum amor nem com reza brava do melhor dos religiosos. O amor é teimoso, não nos abandona, não desiste de nós... nós é que desistimos do amor, nos reinventamos, sentimos milhões de outras coisas e o deixamos de escanteio, como que de castigo,como que dizendo a ele para aprender que não se maltrata tanto um alguém desse jeito.

O amor é desses que faz com que os amantes gastem todo o seu dinheiro nas maiores loucuras mesmo quando precisam economizar. Faz-te sorrir, passar horas no telefone, até achar que a saudade é uma coisa boa, viajar... Faz-te ir ao encontro do outro não importando o quão distante o outro esteja. Ouso dizer que se você já teve um grande amor, sabe que não há obstáculo grande o bastante para os que não têm medo. Lembra que te disse que o amor é para os que não têm medo?

Hoje eu amanheci sem medo algum. Veja bem meu bem. Quem diria, você diria. Ninguém, eu responderia de fato.

De sorte que o coração se aquece de novo e de novo dependendo das cores que te surpreendem quando menos se espera. É sério, acredite em mim, pois quem vos escreve é prova viva da capacidade que a vida tem de virar de ponta à cabeça e desvirar a qualquer momento. Sou prova do que o amor pode fazer com as pessoas... e é justamente por isso que te digo: o amor é importante e só se vive plenamente com amor.

O amor me tira o sono... é a primeira frase que me vem à cabeça. E acho que por isso que tenho tido insônias terríveis. Ainda bem. Estou me recolorindo por dentro. Acontece que só desejo viver plenamente e não vejo mal algum nisso. Se você vê, me diga por favor... Porque não se vê com muita clareza quando se está amando, eu sei.

Mas se quiseres um conselho, caro amigo, te dou o seguinte: se tiveres um amor que valha a pena, conserve-o. Quem precisa dormir quando se pode passar os dias e as noites ouvindo Chico e Ana? Quem precisa de sono quando se está febril de tanto escrever cartas e frases sem sentido, como estas? Se tiveres um amor que valha a pena, lute por ele antes que seja tarde demais para uma oportunidade de vivê-lo.

Desejo, de verdade, que tenhas um bom dia, hoje e amanhã... E que o ontem seja bom para boas lembranças apenas, sem rancores ou dores que te esfriem e te acinzentem. Eu realmente gosto de você, mesmo que eu não te conheça. Se eu não te conheço, ainda melhor... assim não tenho motivo algum para não gostar de você. Saiba que essa é uma carta de coração, pois te desejo boas coisas, sempre. Eu desejo que, você e todo o mundo, se permita sentir amor e muita falta de sono.

Eu te desejo mais: quem se ama para dormir quando o sono vier. 


17 de janeiro de 2013

Eu precisava desse teu sorriso.

Enquanto todos os outros se deleitam nas relações permeadas pela posse e pela superficialidade, me apareces de forma inesperada, sutil e carinhosa e preenches os meus dias da mais pura poesia, do brilho nos olhos, do cultivo da esperança e dos sentimentos que valem a pena.

Aqui dentro é apenas mistura, de bem querer, de sinceridade, de versos e rimas, de você e tudo o mais que me fazes sentir. Da presença e do beijo. Do não saber o que fazer e apenas viver o que se deseja viver.

Aqui dentro é apenas lugar de te guardar e guardar apenas o que é leve e bom. Guardar o bem que sinto ao olhar nos teus olhos e ver as coisas que você não costuma mostrar. Guardar apenas o que precisa ser guardado.

Mas que saudade imensa havia sentido e que apenas percebi sua dimensão no abraço do reencontro. Antes nunca havia ouvido falar de saudade saudável que se matasse com simples presença, conversa franca  e coração quente.
A nós apenas os livros que nos resumem. Apenas o bom, o inexplicável e a sensação de nada ter mudado.

“Bem contente de te ver. Eu precisava desse teu sorriso.”
E porque somos de verdade, nunca houve recíproca mais verdadeira.
E o que é raro merece espaço.

Seja bem vinda, novamente.
Sente...

13 de janeiro de 2013

Pra te acalmar


Ouvindo Marcelo Camelo cantar:
"Passo essa canção pra te acalmar
Esteja, morena, você aonde for
Você sabe bem onde fica toda dor, morena
A chuva e um tanto de tempo pra molhar
O vento que bate pra gente se secar."
Hoje, e com você, eu preciso completar, cantarolar...
Sabe essa canção que nos acalma? 
É nossa, morena, do jardim a nossa flor
Cultive-a comigo regando com muita cor
A chuva que cai em nós, deixa molhar...
Contigo todo o sorriso há de durar.
A chuva que cai em nós, deixa molhar...
E o vento levar o que tem que se levar.

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Entra... deixo que faças sua casa
Com o melhor que há de mim.

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2 de janeiro de 2013

Giselly

Ouvi dizer que há vários tipos de amores e que podemos senti-los em diferentes intensidades vivendo-os de inúmeras formas. Uma grande mistura de muitas variáveis em que não há fórmula alguma que se possa aplicar afim de chegarmos a qualquer tipo de objetivação.
Caímos no poço das coisas inexplicáveis mais explicadas que existem, correndo o risco de afogar-nos em melancolia e discursos exaustivos que servem apenas a nós mesmos...
Antes de me afogar, no segundo do ultimo suspiro tive um filete de sanidade a tempo de entender que, mais do que refletidos, os amores precisam ser sentidos... Desde tal dia, não vivi um dia sequer em vão.

A saudade que sinto não há presença o bastante que sane. É sentimento de saudade eterna e simples saudosismo de uma mistura de sinceridade e intensidade e amor e desentendimento e reconciliação e leitura de olhar e você e.
Ouvi mesmo dizer que há vários tipos de amores, mas muito mais do que o que ouvimos, o que nos forma é o que vivemos. De alma afirmo-vos: há uma mistura inexplicável de amores diferentes em um amor só.

Que me perdoe por externar coisas que por diversos motivos podes desejar ocultar, mas conheço de ti até o que não me dizes... aliás, principalmente através das coisas não ditas. Teus olhos pequenos são como janelas profundas. Sua armadura forte e trincada, muito útil na tarefa de esconder o que já está em carne viva, não se faz obstáculo a quem lhe vê com a sensibilidade precisa.
Há cada vez menos sensibilidade entre as gentes deste mundo.

Me dirás você que sou hipócrita em falar de sensibilidade pois nossos desentendimentos estão aí para provar. Muito já me dissestes que me ama sem meu merecimento. Muito já se passou desde o dia em que nos conhecemos. E eu nada tenho a reclamar além de saudade.

Seu carinho, nossa cumplicidade, sua preocupação, nossa além-amizade.
Além de conceituação qualquer, eu te amo de uma forma de muitos amores misturados...
Todos intensos e apenas nossos: no fim apenas um.

Amor.


Não cabemos mais no pouco espaço de um abraço... já somos bem maiores a tempos.
Eu sei, você sabe, mais ninguém. Não se demore, por favor... Mesmo que eu não mereça.
Também ouvi dizer que saudade mata, mas começo a pensar que as pessoas falam demais as maiores insanidades possíveis.
Tenho tanta curiosidade por gentes insanas, inclusive nós.

Me desculpa, pois sei que não há volta para muito do que já houve.
Mais do que lembranças ainda há muito a partilhar, mesmo que menos do que desejamos.
Mas se prestares bem atenção, está tudo diferente mas como lá no iniciozinho, lembras?
Ah, menos metáforas, sei que não elas não se dão bem contigo. Mas se bem que,

por fora mudastes tanto menina, que fico a pensar...
No medo que tenho de que se percas de mim.

No fim, eu mereço. 
Te prometo.
Eu me esforço.


25 de dezembro de 2012

Trancado e febril

Me desvisto de tudo o que me atrasa, me afasta e me ofusca de você. De ti o tudo o que eu puder e o que deixares que eu alcance, sem medo das falácias das línguas mais ou menos respeitadas.
Desisti de todo o resto que me usurpa o desejo de prender-me ao nosso universo que construímos cheios de cores, músicas, danças, rimas, lágrimas, beijos e ausências. Tudo por apenas um instante. Sem roupas, relógios, sapatos e culpas. Entre e se deixe ficar porque o tempo lá fora não é o tempo que é nosso. Pois até o nosso silêncio tem mais poesia do que os livros que temos lido.
Se deixe envolver, gruda na minha carne, saboreia o que conseguires de minha alma. Deita do meu lado, juntos assistiremos Across The Universe e será como se estivéssemos vendo a nós mesmos e ouvindo as canções que também falam das loucuras das quais somos feitos.
Sei que estou febril e um pouco distante da lucidez, mas o amor que tenho em mim me alimenta e me consome diariamente, enquanto tudo o que consigo fazer é atravessar as noites a lhe escrever estas cartas que nunca lhe entregarei.
Abandonei o emprego, me desfiz de todas as obrigações hipócritas às quais nos submetemos no cotidiano para cumprir um papel que não corresponde ao que somos, ao que sentimos, ao que queremos. Já faz tempo só quero ficar aqui, mesmo que trancado, mesmo que febril, mesmo que a olheiras tenham escurecido a cada noite em que roubastes meus sonhos e em todos eles me abandonastes.
A verdade é que tranquei-me para guardar-te dentro de mim e para que ninguém pudesse tirar-te. 
Amontoo cada vez mais todos os poemas, desenhos, inspirações suas em mim dentro da caixa ao lado da máquina de escrever.
As vezes saio do devaneio e respiro um pouco na janela do quarto. Eis o único momento em que penso: do nosso universo terá sobrado algo além de mim e do amor que tenho guardado? 

19 de dezembro de 2012

Qualquer dia desses é Carnaval

Qualquer dia desses seja pela praia ou seja pelas ruas, quem sabe naquele boteco da praça, qualquer lugar da sua vida, saio por entre os outros e te surpreendo com olhar vivo, castanho claro e te dou um boa noite. 
Me verás da mesma forma de antes, no colorido dos meus olhos toda a história já vivida e a poesia pulsante e que já é tudo meu e há pouco do que era o nosso.
Te surpreendo com voz doce e rima amiga, como uma mescla de musica calma e cores abertas e nestes segundos de certeza te beijarei a face com a sutileza de amante antigo e gentil.
Sorrirei com carinho enquanto afago teus cabelos no abraço de saudade e partirei entre os brincantes deixando apenas a estranha sensação do não vivido. Do que não houve. Do que podia ter sido.
Dançando nos perderemos pela multidão pelos caminhos que traçamos sob as marchinhas do carnaval mais esperado. Cada vez mais distantes um do outro.
Guardarei a lembrança do teu cheiro de folia e o tom da sua voz como se não houvesse possibilidade de outro encontro. Porque mesmo o passado é presente e o que vai se perdendo nem sempre se sente. Pois todo carnaval tem seu fim, assim como também tivemos o nosso.
E se outrora triste, hoje sou só alegria, ponha sua máscara que refiz minha maquiagem. Do nosso final nos restaram apenas as cartas de amor e caixinhas guardadas no fundo das gavetas as quais abrimos pouco... todas cheiasdo que poderia ter sido e nunca mais poderá ser.
Qualquer dia desses, pela praia, pelas ruas, tanto faz... pela sua vida eu apareço sob a forma daquela sua música favorita.
Ou quem sabe na próxima esquina,