A dor
Doía tanto que o choro não bastava. Uma dor grande o suficiente pra se perguntar se valia a pena.
O corte no braço distraía a atenção pra uma dor física muito aquém do que a que doía na alma. Foi ela quem fez, ficou em carne viva e demorou pra cicatrizar, mas no momento em que sangrava, a dor do corpo ajudava a não sentir a dor real, a da vida.
Pensou duas vezes, mirou no pulso, recuou, não tinha certeza. Ligou pra alguém, ouviu uma voz verdadeira e então, não cortou tão fundo quanto planejava.
Dormiu chorando mais uma noite.
Pensava no dia seguinte... e se não tivessem atendido o telefone?
A cicatriz
Não, não há orgulho algum quando olha pro braço. Depois se arrepende.
Não é bonito, mas sente como se tivesse sido necessário... não só a si.
E se perguntam, o que pode fazer além de enrolar um pouco e dar uma resposta mal dada, uma mentira mal contada? Não adimitir que não consegue ser forte sempre.
Consola-se. Ferida na carne cicatriza.
Mas o que fazer com a ferida interna que fica mais profunda a cada dia que passa?
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[Obrigada por ter atendido o telefone.]
1 de agosto de 2010
9 de julho de 2010
The human condition*
O Cartas tá de cara nova...
Novo template, uma nova cara..
mas na verdade acho que a cara é a mesma, de certa forma...
Fiquem a vontade, sintam-se a vontade.
Entrem pela janela, alegrem-se e chorem comigo...
Há coisas que nunca mudam.
Créditos á Camilinha Chaves que ficou de madrugada...
Esse template é quase um filho.
*[aah, e a obra é do fodão do Magritte]
7 de junho de 2010
Diário de uma Metástase
Passar um dia inteiro longe de casa e pensando no que pode estar acontecendo lá.Eu a amo, mais que tudo...
Hoje, quando cheguei, a noticia do dia era a de que o sangue agora escorria pelo nariz.
Como se não bastasse cuspi-lo o dia todo pela tosse.
Está emagrecendo, eu vejo. Quando passo pela porta do seu quarto o seu olhar pra mim é de "nossa, que bom que você chegou." Sei que é medo de ir embora, de deixar a vida e me me deixar. De me deixar sem me ver.
Há toda essa vontade de viver... é mais uma vontade de viver por mim.
E ela dorme... eu ainda estudando, vou até lá, beijo-lhe a cabeça e agradeço por esse momento...
de poder desfrutá-lo, de tê-la, mais um dia...
E que venham muitos outros dias, mesmo que não sejam fáceis.
19 de maio de 2010
Essência.
...
Saber que existe alguém que te vê
muito além do que você mostra
é também perceber que se ainda existe
gente que quer te sentir, mesmo que doa,
é porque você é de verdade
e a sua vida não é vazia...
como a de muitos é.
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[prestar a atenção, sempre. valorizar, sempre.]
18 de abril de 2010
Para pessoas como "ele"... com carinho.
E chega a hora em que a menina se cansa do nariz vermelho e de sorrir sempre.
[pronto. os dias verdes estão cada vez mais cinzas]
Sente que vive as mesmas coisas a tanto tempo que os sentimentos começam a enrugar.
[e os dias são mais cinzas a cada mentira mal contada]
Ouviu dizer por aí que as situações não mudam, só mudam as pessoas.
De fato já pensava que as situações são sempre as mesmas e que por isso mesmo as pessoas, na maioria das vezes, parecem as mesmas. É tudo tão igual, a decepção e a tristeza.
Mas no fim, o fim parece estar mais próximo que o imaginado. O fim já repetido tantas vezes que parece calejar. Parece, apenas.
É o momento do espetáculo em que as máscaras caem.
Acaba a folia, acaba a musica, esgotam-se as boas desculpas, que nem boas eram... e então todos podem se ver com a clareza temida... ah, mas só podem se quiserem...
Sim, caro amigo, de aparência vivem todos os hipócritas. De riso falso e sem maquiagem de palhaço... e da platéia que os aplaude só por conveniência. Fica feio não aplaudir, onde foi a sua educação?
E sabe o circo? Exige o sorriso meio torto da menina que se cansou.
Ela não aplaude.
Por estar cansada das mentiras ouvidas todos os dias, não quer sorrir para o que não tem graça.
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A menina se cansou
E cansada está
Até não sei quando.
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2 de março de 2010
Poesia Comprometida com a minha e a tua vida.
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Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
o homem que quero ser.
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Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
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para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
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Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
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Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
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de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
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É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
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Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
e saber serão, lutando.
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(Thiago de Mello)
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