tudo é provisóriamente eterno para os poetas... tudo é eternamente provisório para os amantes e o poema apenas a configuração do instante.

-Capinam-

9 de julho de 2010

The human condition*

O Cartas tá de cara nova...
Novo template, uma nova cara..
mas na verdade acho que a cara é a mesma, de certa forma...

Fiquem a vontade, sintam-se a vontade.
Entrem pela janela, alegrem-se e chorem comigo...


Há coisas que nunca mudam.



Créditos á Camilinha Chaves que ficou de madrugada...
Esse template é quase um filho.

*[aah, e a obra é do fodão do Magritte]

7 de junho de 2010

Diário de uma Metástase

Passar um dia inteiro longe de casa e pensando no que pode estar acontecendo lá.
Eu a amo, mais que tudo...


Hoje, quando cheguei, a noticia do dia era a de que o sangue agora escorria pelo nariz.
Como se não bastasse cuspi-lo o dia todo pela tosse.


Está emagrecendo, eu vejo. Quando passo pela porta do seu quarto o seu olhar pra mim é de "nossa, que bom que você chegou." Sei que é medo de ir embora, de deixar a vida e me me deixar. De me deixar sem me ver.
Há toda essa vontade de viver... é mais uma vontade de viver por mim.

E ela dorme... eu ainda estudando, vou até lá, beijo-lhe a cabeça e agradeço por esse momento...
de poder desfrutá-lo, de tê-la, mais um dia...
E que venham muitos outros dias, mesmo que não sejam fáceis.





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19 de maio de 2010

Essência.

...
Saber que existe alguém que te vê
muito além do que você mostra
é também perceber que se ainda existe
gente que quer te sentir, mesmo que doa,
é porque você é de verdade
e a sua vida não é vazia...
como a de muitos é.
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[prestar a atenção, sempre. valorizar, sempre.]

18 de abril de 2010

Para pessoas como "ele"... com carinho.



E chega a hora em que a menina se cansa do nariz vermelho e de sorrir sempre.
[pronto. os dias verdes estão cada vez mais cinzas]
Sente que vive as mesmas coisas a tanto tempo que os sentimentos começam a enrugar.
[e os dias são mais cinzas a cada mentira mal contada]

Ouviu dizer por aí que as situações não mudam, só mudam as pessoas.
De fato já pensava que as situações são sempre as mesmas e que por isso mesmo as pessoas, na maioria das vezes, parecem as mesmas. É tudo tão igual, a decepção e a tristeza.
Mas no fim, o fim parece estar mais próximo que o imaginado. O fim já repetido tantas vezes que parece calejar. Parece, apenas.
É o momento do espetáculo em que as máscaras caem.
Acaba a folia, acaba a musica, esgotam-se as boas desculpas, que nem boas eram... e então todos podem se ver com a clareza temida... ah, mas só podem se quiserem...
Sim, caro amigo, de aparência vivem todos os hipócritas. De riso falso e sem maquiagem de palhaço... e da platéia que os aplaude só por conveniência. Fica feio não aplaudir, onde foi a sua educação?

E sabe o circo? Exige o sorriso meio torto da menina que se cansou.
Ela não aplaude.
Por estar cansada das mentiras ouvidas todos os dias, não quer sorrir para o que não tem graça.
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A menina se cansou
E cansada está
Até não sei quando.
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2 de março de 2010

Poesia Comprometida com a minha e a tua vida.

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Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
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Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
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Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
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Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
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É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
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Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
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(Thiago de Mello)

9 de fevereiro de 2010

*Armário Colorido

Eu e mais duas amigas, resolvemos escrever alguma coisa... mais como um livro. Tal obra contando histórias reais de um cenário singular de São Luis do Maranhão - um cenário butch. Pode parecer brincadeira, mas são histórias carregadas de amor, ódio, brigas, lágrimas, mas principalmente de companheirismo e lealdade.
Já era pra apresentação de cada uma estar pronta mas, por enquanto eu coloco uma parte da minha aqui... ainda não terminei, nem li de novo, mas tá aí, pra não dizerem que eu não fiz, viu meninas? cuidem logo de terminar as suas. beeeijo.

[Do nosso armário cheio de fatos saem muitas cores - pra não dizer que do nosso armário cheio de cores saem muitos fatos...]

eu,

Cada um é feito de suas maiores alegrias, traumas, sentimentos mais diversos e histórias paralelas... e eu sei que sou formada de tudo isso e um algo mais que não sei dizer com certeza o que é e acho que não pretendo descobrir por enquanto.

Meu nome é Carolina Chaves e eu sou de escorpião. Nascida em novembro e como toda escorpiana, tendo a se mal interpretada pela certa dificuldade de expressar alguns sentimentos e de chorar, quando visível aos demais. Mas não me leve a mal, aprendi a ser assim. Meus 19 anos me ensinaram mais coisas do que normalmente lhes cabe ensinar.

Desde muito criança me recordo das muitas mudanças que já fiz. A cada ano uma cidade diferente me esperava e lembro do quanto eu gostava das luzes pequenininhas das casas que deixávamos pra trás. A cada ano era um começar de novo e sinto que não eram só os móveis que levávamos na carroceria do carro, levávamos também a inexistência de meus amigos de infância e todo e qualquer vínculo com o passado que eu poderia ter.

Lembrar dos anos que vivi me fazem pensar em muitas coisas ao mesmo tempo. Coisas tipo o sorriso. Não sei se há algo mais bonito de se ver no rosto das pessoas que gostamos, mas eu sei que tenho vários sorrisos. Sei por que me disseram – uma menina me disse uma vez – e então comecei a perceber que tem muita gente que sorri de muitos jeitos pra enganar aos outros e a si mesmo. Percebi que meu sorriso, quando não é de pura e simples felicidade, é de exorcismo.

Eu vivo a rir da vida, a própria sorrindo de mim e brincando com a minha cara. Eu vivo pra sorrir porque aprendi a não chorar... só confidenciando lágrimas à mim mesma. E como dizem que a vida é um eterno aprendizado, sempre foi uma aluna esforçada. Aprendi que a menininha que cresceu ouvindo os gritos e brigas dos pais, escondida, precisava crescer. Àquela menininhas que depois tentaram faze-la entender que alguns adultos gostam de molestar crianças, precisava também, mesmo tão pequena, ouvir que seu pai tinha essa doença vergonhosa. E depois entender que ele não era seu pai, que era tudo uma mentira muito grande na sua certidão de nascimento. Eu precisei esconder essa menininha na minha maturidade precoce e não deixa-la transparecer. Afoguei-a no meu sorriso. No sorriso exorcista que estampo na face... sorriso de enganar a si mesmo.

Com o tempo você aprende que nunca vai ser fácil lembrar de certas coisas.
Mas então... eu cresci assim mesmo, entre choro e aprendizado eu também fui feliz todas as vezes que tomei banho e brinquei na rua sentindo a terra viva e molhada tocando os meus pés. Eu fui feliz depois que a mãe se separou e nós duas fomos mais uma vez, começar tudo de novo em um outro lugar... mas dessa vez éramos só nós duas. Duas mulheres pra ganhar o mundo.



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[É difícil ser sutil com algumas coisas.]
*direitos autorais reservados.